“Ninguém me pode dar, vou ter de trabalhar”

Celso Lascasas (origem em O CEO é o Limite)

fonte: Composição com origem em “O CEO é o Limite” do expresso.

Esta frase de Celso Lascasas consegue sintetizar mais uma fantástica entrevista da Cátia Mateus no podcast “O CEO é o limite“.

Aplicando os conceitos mais empresariais, diria que esta frase representa uma verdadeira missão para alcançar a sua visão, refletida a partir do seu sonho de criança: “Também tenho de ter“.

Com origens em Rebordosa, na região dos móveis, o Celso é um exemplo de que a vontade move montanhas e permite alcançar os impossíveis, independentemente das contrariedades e forças opostas.

Para despertar a curiosidade e desejo de assistir ao podcast, permito-me destacar algumas referências:

  • Os problemas no seio do seu núcleo familiar levaram-no a viver com os avós
  • Tinha por objetivo que, quando fizesse o 6º ano, iria trabalhar (era uma despesa, queria ser independente)
  • Os amigos tinham um nível de vida melhor que a dele: estudavam, tinham coisas que ele não podia ter – iam ao cinema, tinham sapatilhas da moda – mas que desejava possuir
  • Aos 14 anos vai para a pequena oficina de um tio para aprender a arte de marceneiro e ganhar dinheiro
  • O foco e a ambição eram de ter mais, pelo que trabalhava 7 dias por semana
  • Entre os 14-22 trabalhou na oficina do tio, que não tinha filhos e até existia a promessa de uma potencial continuidade…
  • Desejar mais levou-o a ir trabalhar para outra empresa maior, de outro tio, como encarregado de secção e a ganhar mais dinheiro
  • Esta mudança abriu as portas para o exterior – participação em feiras
  • Este tio, com que tinha boa relação, tinha filhos que, obviamente, iam crescer, pelo que pensou que podia não funcionar
  • Ganhar mais e ser poupado, permitiu gerar alguma liquidez e arriscar com a sua 1ª loja, com a colaboração da irmã e 1 funcionário, para comprar e revender móveis produzidos nas fábricas próximas
  • Investiu cerca de €17.000 e teve crédito das pessoas das redondezas
  • A ideia era criar e construir mobiliário com design próprio
  • Sem saber bem o porquê, sempre desejou criar uma marca com peças originais
  • De Rebordosa, alargou a 4 lojas na região do Porto. Um ano, em vez de gozar férias foi pesquisar a zona da capital.
  • Em 2007 abre uma loja em Alfragide – a renda era maior que a das outras 4 lojas – ao lado da Interforma (marca que era uma referência a importar e a vender a preços altos, que ele acreditava poder fazer do género e bem mais barato)
  • Este passo (era como ter pensado em “exportar”!) foi a alavanca para o futuro
  • Momento mais difícil: a crise de 2011. Temeu pelo impacto na empresa. Pensou perder tudo. Vendas caíram muito (40%) e numa altura em que já tinha a 1ª fábrica e cerca de 50 empregados. Reduziu o nível de vida; vendeu o carro de sonho; a maioria das pessoas aceitou baixar os salários; os fornecedores também apoiaram; …
  • Pensou em desistir. O dinheiro não chegava para tudo.
  • Ultrapassou e aprendeu a lição de que não podia ter os ovos todos no mesmo cesto: tinha de sair de Portugal.
  • Em 2014/5 começa a preparar equipas para alargar ao mercado externo
  • Hoje tem cerca de 500 empregados, 90 a 95% de produção própria de móveis, têxtil, … em 34.000m de instalações e duas estratégias: B2C – 11 lojas abertas ao público e B2B – decoradores, arquitetos, essencialmente para exportação (médio oriente e UK), estando presente com lojas próprias em Punta Cana, Londres, Luanda e Marbella. EUA está na calha.
  • Para esta estratégia e grande crescimento tornam-se relevantes as presenças nas feiras especializadas de Paris, NY, Londres e Milão – a mais importante onde apresentam as novas coleções (tem 9 pessoas a criar).
  • Em 2023 a faturação deve atingir os €35 milhões, mas, para aqui chegar “anda a regar a árvore há muitos anos
  • O determinante para o crescimento foi a conjugação da vontade do Celso com a digitalização. Só há 5 ou 6 anos passou a reconhecer o valor dos dados – não era investimento, era melhor comprar máquinas que programas – pelo que considera um erro não ter apostado antes.
  • O Futuro da LasKasas: sente-se mais confiante, já não passa tudo por ele, tem equipa jovem e experiente que trata dos assuntos.
  • Não se vê lá, está muito cansado, a esposa desde janeiro de 2023 que é a CEO e ele passou a chairman.
  • Gostava de se reformar aos 55 anos e ter tempo para ele e poder fazer outras coisas, como seja o ser pai.
  • O pai ter sido preso 2 ou 3 vezes, por não pagar o que tinha de pagar, incutiu-lhe o desejo de não desejar ser igual. O apelido de família (Lascasas) era associado a alguém que não era de bem. Assumiu o enorme risco de associar o nome à empresa. Agora está associado a uma pessoa séria e que cumpre, pelo que deseja passar este legado aos 2 filhos (15 e 2 anos).
  • Não viu nascer a filha. O foco eram as empresas – foi o lado mau do trajeto empresarial. Agora não abdica dos filhos

 

Em síntese, temos uma história da vida de um empresário que aborda as principais fases do que é o ciclo de vida de uma empresa familiar:

  1. A visão de negócio uma pessoa e o enorme esforço e muito trabalho para a implementar;
  2. A dor das contrariedades, que vão surgir quando menos se espera, e a vontade férrea para a ultrapassar;
  3. A persistência acaba por dar frutos;
  4. O dilema do crescimento que implica criar uma equipa e delegar;
  5. A estruturação da empresa para funcionar no dia a dia sem a presença do empresário;
  6. O orgulho pelo construído e vontade de assegurar a sua continuidade
  7. Reconhecer e despoletar a sucessão na liderança, deixando espaço para os novos executivos;
  8. O desejo de desfrutar da vida e, em especial, da família.

 

Com o Celso Lascasas, a Cátia Mateus reforça as merecidas felicitações por este canal de podcast. Está a permitir algo impressionante: testemunhos na 1ª pessoa que podem auxiliar muitos outros casos a ambicionarem serem líderes ou empresários (apesar das pedras que vão encontrar pelo caminho).

Assistir às muitas outras entrevistas é uma excelente formação, em especial para todos quanto estão associados a empresas familiares ou famílias empresárias.

 

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