Os meus pais criaram a empresa em 1970. Na altura só trabalhavam eles e mais dois funcionários, sendo que agora somos um grupo com 3 empresas e com um total de 350 funcionários. O meu pai, agora com 80 anos, continua a querer mandar em tudo. Tenho 52 anos e, juntamente com a minha irmã de 45, trabalhamos todos os dias afincadamente na gestão da empresa, só que a última palavra – para tudo – é sempre dele, sendo o nosso espaço de manobra praticamente nulo. O meu pai diz que “ainda está para as curvas” e que depois logo se verá.

Está-se a tornar desesperante porque na verdade as empresas estão a ficar estagnadas e com dificuldades em corresponder aos novos desafios do mercado. Que fazer?

Para um empresário com quase 50 anos de atividade é muito difícil abrir mão de toda a responsabilidade que assumiu ao longo dos anos no desenvolvimento do seu projeto e ainda por cima com enorme sucesso. É por isso uma posição natural que se deve respeitar e abordar com a adequada delicadeza.

Como tudo o que tem a ver com a vida da empresa e sobretudo quando estão em causa as relações familiares, a aposta deverá ser no diálogo e numa postura construtiva em busca da melhor solução para a continuidade da empresa.

Nesse sentido e até como forma de evidenciar as competências dos irmãos e a confiança que vos poderá ser depositada, sugerimos que tenham uma conversa com os vossos pais por forma a poderem apresentar as vossas preocupações com a questão da competitividade da empresa.

Mas como a uma preocupação deverá vir sempre associada uma solução, deverão sugerir a apresentação aos vossos pais de um Plano de Ações a serem implementadas no decorrer de um ano.

Deverão ter sempre presente a enorme importância do líder fundador do projeto e o papel ainda de enorme valia que, com certeza, mantém em muitas questões relacionadas com o negócio. Por isso e após chegarem a consenso, o pai pode ficar com algumas das ações a serem desenvolvidas, delegando a implementação das outras nos filhos.

O papel principal do pai será o de supervisor do projeto acompanhando através de reuniões mensais todas as ações que venham a ser implementadas.

Para além naturalmente da análise regular da evolução do projeto, no final do período deverão efetuar um balanço e definir outras ações que impliquem a delegação da sua execução em cada um dos filhos.

Este é um processo que, gerido de forma serena e rigorosa, levará o vosso pai a ganhar mais confiança – quer na execução por parte dos filhos quer na sua função de supervisor – e, consequentemente, a delegar um cada vez mais funções e responsabilidades.

Dada a sensibilidade do assunto e considerarem necessário procurem um especialista que vos ajude a estruturar essa abordagem e plano de ação.

 

Nota: Este texto faz parte da coluna “Empresas Familiares – Perguntas e Respostas“, publicada no jornal “Metal” de 24 de novembro de 2017

CEO da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, acompanhando numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Orador em seminários, conferências e autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.

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