A sensibilização da Família Empresária quanto à disrupção do negócio é algo que deve ser debatido e assumido como natural.

As evoluções significativas no negócio ou na atividade de uma empresa são, normalmente, assunto da gestão ou, no limite, dos acionistas da empresa. Nas entidades familiares surge o dilema de se a família empresária deve ou não participar em processos de alterações significativas ao negócio.

Para evoluir, a empresa tem de estar em contínua vigilância para identificar tendências, vulnerabilidades, ameaças e oportunidades. Sendo esta uma função indissociável da gestão de topo de qualquer organização, as empresas familiares podem tirar partido de um recurso único e que as diferencia das outras: a família empresária.

Mas para este fator ser competitivo, é necessário que a família esteja consciente do que é a disrupção e de como pode participar no processo.

O estudo “Empresas familiares da próxima geração: Liderando um negócio familiar num ambiente disruptivo”, da Deloitte, tentou medir o nível de consciencialização das famílias empresárias relativamente a processos de disrupção no negócio da sua empresa.

Ao analisar as respostas, na escala de 10 níveis utilizada na pergunta, verifica-se que o posicionamento nos dois níveis mais altos (9 e 10) cobre a quase totalidade dos cinco níveis mais baixos (1 a 5), o que é um excelente indicador de que as famílias empresárias estão conscientes do que é a disrupção e a sua importância para a empresa que controlam.

Encontrar processos de envolver a família e tirar proveito da sua sensibilidade e conhecimento do negócio, para captar e testar potencias tendências, pode ser uma vantagem comparativa que deve ser potenciada.

A RODIRO – Fábrica de Calçado, foi fundada em 1994 por três irmãos, encontrando-se inserida no mercado de tradição de Felgueiras a produzir calçado para homem e senhora.

Em determinado momento da sua atividade, a reflexão dos sócios sobre o modelo de negócio no futuro e as caraterísticas das respetivas famílias, levou a considerarem a opção de um dos irmãos passar a deter a totalidade da empresa.

Rolando Costa assumiu o enorme desafio: investiu em novas e melhoradas instalações e equipamentos e direcionou a empresa para o mercado internacional, focando-se em trabalhar para exigentes marcas de reconhecimento internacional, apostando nas pessoas e seu desenvolvimento, sendo atualmente uma empresa de referência no setor.

Alcançar este patamar só foi possível com o envolvimento dos familiares diretos que, para além de acreditarem no reposicionamento do negócio, se envolveram e abraçaram profissionalmente o negócio, permitindo a sua contínua e franca evolução.

Temas para Reflexão:

  • Uma alteração significativa no negócio da empresa familiar é um assunto que deve ser abordado com a família empresária?
  • Podem existir desvantagens para a empresa na partilha de ideias de disrupção com a família?
  • Que mecanismos podemos criar para envolver a família nos processos de inovação?

 

CEO da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, acompanhando numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Orador em seminários, conferências e autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.

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