As Empresas Familiares possuem uma forte ligação às Comunidades Locais, assumindo-se como um enorme impulsionador das mesmas.

O desenvolvimento de um negócio, em especial nos seus primeiros tempos de vida, apresenta como caraterística o envolvimento de pessoas e recursos das proximidades do seu espaço de instalação.

Esta particularidade é considerada muito natural, pois é muito facilitadora do empreendedor: as pessoas que necessita estão muitas vezes nos círculos dos seus conhecimentos locais, os fornecedores respondem de forma mais célere e em condições mais vantajosas (no mínimo de tempo de resposta ou custos com deslocações).

Este tipo de atuação, ao permitir o desenvolvimento de outros negócios e a fixação de pessoas, vai originar fortes conexões à comunidade local, e ilustra alguns dos elementos – apresentados pelo estudo “Empresas familiares da Região Norte: Mapeamento, Retratos e Testemunhos”, de 2018, desenvolvido pela UMinho -, que são um fator comparativo diferenciador das empresas familiares.

Independentemente do maior ou menor volume de negócios e do número de pessoas contratadas, este tipo de comportamento permite criar um clima de estabilidade e condições para combater a desertificação, captar novas pessoas e, consequentemente, levar à disponibilização de condições e níveis de qualidade de vida em múltiplas e dispersas regiões do país.

Maria da Conceição Gomes, estava habituada a vender produtos tradicionais na sua loja. Num determinado momento da sua vida decidiu enfrentar um desafio e explorar a venda de carnes, em especial as frescas, dentro de um supermercado, de uma das cadeiras internacionais estabelecidas em Arcos de Valdevez.

Transformar-se de forma célere em empresária, passar a assegurar a abertura de um talho todos os dias da semana, no horário alargado do supermercado, é uma mudança radical.

Do trabalho por conta de outrem, passa a ter a responsabilidade de ter vários funcionários e responsabilidades inerentes, em especial os custos fixos com os seus salários.

Para que o negócio se desenvolvesse e compensasse todos os esforços desenvolvidos (e que se manterão ao longo do tempo), teve de adequar a oferta à realidade do meio envolvente: possuir carne fresca de marcas autóctones como a cachena ou produtos de fumeiro locais, que adquire a produtores de zonas geográficas próximas, e integrar com uma multiplicidade de variedades e origens distintas, para disponibilizar um leque alargado de opções de qualidade e preço aos diferenciados segmentos de clientes que frequentam o supermercado ou que vão especificamente à procura dos seus produtos.

Participar no tradicional Desfile dos Bois da Páscoa, foi uma das vias encontradas para mostrar a carne que venderá nesse período. Comprar nas proximidades, empregar moradores locais e ajustar a oferta aos usos e costumes, são alguns dos exemplos que ilustram o forte empenho e preocupação das empresas familiares na sua interligação com o meio onde se encontra inserida.

Temas para Reflexão:

  • Qual a ligação ao meio envolvente da nossa empresa familiar?
  • Empregamos locais e compramos produtos ou serviços a outras entidades da região?
  • A nossa integração é um fator diferenciador e que pode ser potenciado?

 

CEO da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, acompanhando numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Orador em seminários, conferências e autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.

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