A empresa familiar tem de identificar iniciativas que aceleram a sua transformação, se desejar manter-se ativa por muitas gerações.

Assegurar a continuidade de uma empresa familiar inclui intervenção em múltiplas áreas. Uma delas é a identificação de iniciativas que permitam assegurar a sua transformação ao longo dos tempos. Com uma certa naturalidade associa-se às sociedades familiares uma antiguidade e um determinado tipo de negócio, normalmente o que esteve na sua génese, o que não significa uma estagnação ou reduzida evolução.

O estudo “Empresas familiares da próxima geração: Liderando um negócio familiar num ambiente disruptivo”, da Deloitte, permitiu salientar que estas empresas são muito ágeis na identificação de iniciativas que impulsionam a sua transformação: 75% das respostas, sendo que somente 7% considera não existir tal capacidade nas suas empresas.

Uma análise histórica, de mercados e de empresas que neles se incluem ao longo dos tempos, permite identificar três tipos de comportamentos por parte destas entidades:

  • As que foram evoluindo de forma contínua e se mantêm atuais e competitivas (Sogrape);
  • As que foram transformando a sua atividade e atuação, reduzindo o peso da sua atividade inicial e evoluindo para áreas distintas das que estiveram na sua origem (Grupo Ferreira Martins);
  • As que nada fizeram e desapareceram (Tabopan de Amarante).

Assegurar a continuidade geracional das sociedades familiares implica especial atenção à sua contínua transformação, algo que é compatível e potenciável com a sucessão – entrada e coexistência de diferentes gerações familiares na empresa.

 

Na década de 80, António Albuquerque adquiriu a Quinta da Taboadela, localizada na freguesia de Silvã de Cima, Sátão. Plantou cerca de 40 hectares de vinha, uma das maiores extensões contínuas de vinha da região do Dão, construiu uma adega e um hotel rural.

A quinta possui vestígios do Período Romano e Idade Média (uma pia e cinco sepulturas escavadas em rocha).

Nos últimos anos Rosa Albuquerque da Silva, filha de António, alcançou diversos prémios com os vinhos da quinta, no entanto considerou ser mais adequado vender a propriedade ao grupo Amorim. Após a operação concretizada, escreveu no facebook “ a Quinta da Taboadela cresce do nada, fruto da visão do meu pai há 30 anos, quando na região havia apenas adegas cooperativas e nascia na altura um projeto que que acabou por se afirmar. […] Só um destemido conseguia erguer a área que hoje se vê plantada e que era mata. Só um destemido consegue idealizar todas as infraestruturas que ali estão.

omos uma família da região que desde o tempo dos meus avós tanto maternos como paternos nos habituamos a produzir e a vinificar uvas. Desde há 30 anos vimos muita gente a entrar e a sair. A Quinta da Taboadela continuou.

Iremos continuar nesta aventura com as restantes propriedades da família.”

Temas para Reflexão:

  • Como se tem transformado a nossa empresa familiar?
  • Existe uma preocupação em atualizar a visão de futuro da nossa empresa familiar?
  • Que iniciativas desencadear para assegurar uma evolução contínua e evitar a decadência?

CEO da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, acompanhando numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Orador em seminários, conferências e autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.

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