A empresa familiar sabe que necessita e possui uma visão de futuro

A visão do futuro é um elemento imprescindível à sobrevivência de qualquer empresa familiar.

A máxima “quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, atribuída a Séneca, tem uma aplicação textual às empresas. Se os sócios ou a família empresária não definirem e os gestores não refletirem uma visão na empresa, é o mesmo que assumirem que esta pode navegar no mar dos negócios sem um destino definido.

Esta indefinição, mesmo que a sociedade seja detida e gerida pelas mesmas pessoas, mais cedo ou mais tarde, vai ser geradora de desmotivação e, a médio prazo, de conflitos. Qualquer resultado que a empresa alcance vai ser passível de duas interpretações:

  • normal: contentamo-nos com tudo (um dia até com a própria extinção);
  • podia ser melhor: insatisfação constante (chegamos à lua, mas ficamos longe de marte …)

O estudo “Empresas familiares da próxima geração: Liderando um negócio familiar num ambiente disruptivo”, da Deloitte, indicia que a grande maioria das empresas familiares controlada pelos inquiridos possui uma visão do futuro: 84%, contra uns pouco significativos 4% dos que considera não terem esse farol à navegação.

Com estes resultados pelo menos um dos fatores que auxilia a continuidade das empresas ao longo das gerações está minimizado e a gestão sabe que rumo deve dar ao negócio de conduz.


Em 2018 comemora-se o centenário da então batizada firma Flôres e Couto que, em 1932 e sob a responsabilidade de Alberto Ferreira do Couto, lança a “Pasta Medicinal Couto”. Tendo por fim combater os problemas nas gengivas provocados pela sífilis, rapidamente se transformou no produto imagem da empresa.

Na época pós-revolução a marca entrou num período de esquecimento e grande redução de vendas. O movimento iniciado por Catarina Portas na 1ª década do séc XXI, de renascimento de marcas de culto, veio despoletar uma nova vida. Não sendo fácil relançar uma marca que faturava pouco, mas que ainda estava no imaginário de muitos portugueses, o desafio foi assumido por Alberto Silva, sobrinho que sucedeu ao fundador em 1974 e a sua esposa.

A agora Couto, S.A. mudou-se para novas instalações onde no moderno laboratório continuam a produzir de forma semi-artesanal e fiel à tradição e antiga receita (sem recurso a ingredientes de origem).

À pasta Couto seguiram-se outros produtos icónicos: o “Petróleo Olex” e o “Restaurador Olex”.

Em 2017 foram lançados novos produtos: creme de mãos, creme hidratante, sabonete e a primeira caixa metálica de coleção para celebrar a publicidade vintage da “Pasta Medicinal Couto”.

Temas para Reflexão:

  • O que está a mudar no nosso mercado?
  • Os nossos produtos estão ajustados às mudanças expectáveis?
  • Que novos produtos ou iniciativas devemos desenvolver para continuar a competir?

 

CEO da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, acompanhando numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Orador em seminários, conferências e autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.

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