Os valores da família empresária influenciam no estilo de Comunicação Interna da empresa familiar.

Os valores duma empresa devem estar refletidos na forma como esta comunica com os seus colaboradores.

Nas empresas familiares os valores são um reflexo dos princípios essenciais da família proprietária, pelo que é natural um determinado nível de influência em muitas das suas práticas.

O estudo da Atrevia (Os valores e a comunicação na empresa familiar) pretendeu analisar esta associação dos valores ao estilo de comunicação interna da empresa. Sendo que esta variável não é de definição nem comparação fácil, os resultados extremos – ou seja total ou nenhuma influência – foram os menos expressivos.

O que significa que uma grande percentagem, 59%, considerou a existência de uma enorme influência dos valores da família na forma como a empresa comunica internamente.

Neste contexto, quem lidera a empresa familiar deve ter especial atenção na definição e interpretação dos valores e seu reflexo nas políticas e ações de comunicação para o interior da organização.

É reconhecido o enorme impacto que a comunicação eterna tem na performance duma organização, pelo que elementos como o nível de abertura e transparência, a formalidade, a multiplicidade de canais e, em especial, o detalhe e a periodicidade de informação devem ser congruentes e refletirem esses mesmos princípios. Pela significativa relevância, convém ter plena consciência que não comunicar é uma forma de comunicação que origina múltiplas interpretações e, consequentemente, atuações que só por coincidência se coadunam com o desejado.

Vale da Rosa é um nome que, em Portugal, está associado a um produto icónico: uvas sem grainha.

As origens da Herdade Vale da Rosa estão nos anos 50, do século XX, quando o pai de António Silvestre Ferreira se estabeleceu na Herdade do Pinheiro, em Ferreira do Alentejo, e, na década de 60, começou a produzir uva de mesa. A nacionalização levou a família para o Brasil, onde desenvolveu o mesmo negócio e pela primeira vez produziu uvas sem grainha. A restituição das terras permitiu reatar a produção em Portugal e que, no início deste século XXI e com a morte do pai, Silvestre Ferreira assumisse e multiplicasse o negócio da uva de mesa.

A produção deste tipo de produto tem muitas particularidades, sendo que a empresa acredita que as pessoas são o seu maior capital; muito para além dos ativos tangíveis de centenas de hectares de terreno e centenas de milhares de videiras imprescindíveis à sua existência. 

Com uma equipa permanente média de 500 pessoas (em plena campanha pode atingir as 800), a sua atividade cíclica implica significativas variações, bem como necessidades de determinados perfis em distintos momentos do ano: apanhadores e embaladores nos períodos de colheita, podadores no pós-colheita, etc. 

Dispor desta multiplicidade de perfis em períodos de tempo diversos, planear as suas atividades, integrar pessoas oriundas de distintos países (distantes como o Nepal e a Tailândia) e culturas, é um desafio no qual a disseminação de informação e a comunicação interna é crucial.

Manter uma proximidade das pessoas e criar espírito de equipa são dois enormes e contínuos desafios que a empresa tenta ultrapassar com iniciativas como uma enorme festa, que reúne todos os trabalhadores no início de cada campanha de colheitas, e ações de team-building. 

Temas para Reflexão:

  • Os valores da nossa família são conhecidos pelas pessoas da empresa?
  • Os nossos colaboradores têm a perceção da nossa forma de comunicar?
  • Como é que a nossa comunicação interna pode estar em sintonia com os valores da família?

 

Sócio consultor da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, tendo acompanhado numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.
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