Sempre que temos um determinado tema importante para discutir, não o conseguimos abordar sem entrar em discussão e sem que nos exaltemos uns com os outros. O que fazer?

As enormes vantagens das empresas familiares com o inerente desenvolvimento de um projeto comum que agrega os membros da família que nele participam, tem também alguns inconvenientes que decorrem de, por vezes, não sabermos colocar limites à forma como abordamos determinadas questões.

No âmbito da pressão diária que decorre dos diferentes trabalhos a desenvolver, é naqueles que nos são mais próximos que descarregamos toda a tensão e acabamos por alimentar conflitos cuja origem já nem sequer conseguimos determinar. Não é verdade?

É essencial estabelecer e cumprir um conjunto de princípios que são absolutamente determinantes. Desde logo e antes de qualquer outra abordagem, não devemos trazer nunca para dentro de casa os assuntos que são para analisar na empresa e não devemos levar para a empresa os assuntos próprios da família.

Existem ferramentas adequadas para a implementação destes princípios que no âmbito dos órgãos de gestão da empresa poderão ser adotadas. Nomeadamente, o órgão máximo de gestão deverá definir um processo de tomada de decisão que seja do conhecimento de todos e que por todos seja respeitado.

A definição de um regulamento de competências para os diferentes níveis de gestão integrado com um simples e ágil sistema de reuniões, são instrumentos que muito irão ajudar ao enquadramento dos temas, à sistematização da sua análise e à determinação de quem é responsável por quê para cada tipo e nível de decisões a tomar.

Mas tem de haver por parte de cada um, uma preocupação permanente por manter um diálogo construtivo. E esta é uma questão em primeiro lugar de atitude e vontade.

É essencial que todos os membros da família tomem consciência de que devem incrementar o seu nível de comunicação interpessoal e a forma como fazem a gestão dos naturais conflitos que surgem no dia-a-dia de da sua empresa.

No que respeita ao desenvolvimento comportamental são vários os instrumentos de apoio que em muito poderão melhorar o relacionamento entre os membros da família.

Desenvolver a empatia para com as pessoas com quem nos relacionamos, manter uma postura assertiva e capacidade de escuta bem como uma regular e competente capacidade de dar e receber feedback com verdade, são ferramentas que em muito ajudarão a incrementar o nível de relacionamento entre os membros da família e facilitar o processo de discussão com vista à tomada de decisões de maior valor para a empresa e para a família.

 

Nota: Este texto faz parte da coluna “Empresas Familiares – Perguntas e Respostas“, publicada no jornal “Metal” de 30 de setembro de 2016

Sócio consultor da efconsulting e docente do ensino superior.
Especialista na elaboração de Protocolos Familiares, Planos de Sucessão, Órgãos de Governo, tendo acompanhado numerosas Empresas e Famílias Empresárias.
Autor de livros e centenas de artigos relacionados com Empresas Familiares.

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